
Religião.
Não falo dela para julgar mas sim para tentar perceber a sua utilidade nos dias modernos. Durante séculos o homem, tacanho nos seus conhecimentos, usou o sobrenatural para explicar o que não entendia, e desta forma nasceu, a meu ver, a religião.
Sim, penso que nasceu do medo, medo que os primeiros homens tinham daquilo que não podiam ver, ouvir ou tocar pois simplesmente só se manifestava no seu quotidiano e sempre de forma negativa como se os quisesse castigar por algum mal que eles sabiam não ter cometido.
Ou seja a base das religiões não é nada mais que medo?
Sim...e não.
Explicar-me-ei já de seguida, o homem não sabendo explicar o porquê de por exemplo chover, trovoar ou até de adoecer teve de encontrar uma solução para preencher a limitação dos seus conhecimentos, e então nasceu não a religião mas o sobrenatural que mais tarde levaria a esta. Este medo rocambolesco levou a que o ser humano se vergasse perante o que julgava ser verdade e pusesse nisto todos os seus valores, futuro e decisões, não querendo errar perante a sua divindade de forma a não sofrer nas mãos desta
Na generalidade todos somos educados de forma a amar um deus e seguir as regras deste, com o passar dos anos começamos a questionar-nos e a pôr de parte esses ensinamentos e mais tarde voltamos a eles ou a outros pois o homem necessita de uma divindade, uma última esperança, e um último culpado, logo sinto-me em condições para dizer que o ateísmo é falso uma vez que nos momentos mais negros da vida do homem este indubitavelmente recorrerá a uma qualquer divindade, principalmente aquela a que foi educado a venerar pois é algo que se enraízou na sua alma e nunca foi de todo expurgada.
Tendo agora as bases podemos partir para o cerne da questão: a religião, algo nascido do medo, da ignorância, que tantos problemas morais nos impõem todos os dias, que está banhada com o sangue de crentes fervorosos e que ainda se enraíza no nosso ser será boa?
Sim, é, sem ela o homem andaria perdido, a esperança morreria aquando as suas capacidades se esgotassem, a moralidade perder-se-ia pois já não haveria nada para alcançar após a vida e por fim tudo seria demasiado real e concreto levando, desta forma, à morte da sua criatividade e até, talvez, da sua imaginação.
