quarta-feira, 20 de abril de 2011

(In)tolerância



Vemos, actualmente, uma sociedade supostamente aberta e aceitadora do homem, do que ele é e da forma como o é. Mas tudo isto não passa de algo ilusório pois de aceitadora nada tem. Os jovens vivem e sentem-se discriminados pelos mais velhos que seguem uma matriz de regras e normalidade diferentes, mas esta situação é a ponta do iceberg pois a sociedade luta até contra algo que o homem não consegue evitar, as suas tendências naturais, além de não aceitar ou até mesmo tolerar esta usa as suas forças para erradicar o que considera anormal e anti-natura pois na sua fechada mentalidade só há um caminho a seguir- nascer, crescer, constituir família, envelhecer e por fim morrer, sem marcar o mundo nem agir de forma a encontrar a felicidade que devia ser a luta constante do homem e só não o é pois a vontade por esta busca é-lhe extirpada pelos indivíduos à sua volta. Aqueles que temerosamente ignoram esta pressão e seguem os seus desejos são postos de lado, rotulados e discriminados pelos demais. E não há volta a dar, para alterar tal constante toda a sociedade teria de ser transformar e perder todas as suas limitações. Porêm vendo esta situação percebemos que até o conceito de sociedade não existe um todo mas sim vários grupos de homens que interagem mas raramente de forma natural e pacifica pois estes mesmos grupos consideram os outros anormais e incapazes de agir de forma correcta. Por fim, sem mais nada para dizer deixo apenas o exemplo mais notável da intolerância da sociedade e da tentativa desta de erradicar o que considera errado que é o facto de na Malásia ter sido aberta uma escola que tem como função incutir “virilidade” nos homens do sexo masculino que são efeminados. Este exemplo além de real e actual é no mínimo chocante e dá toda a veracidade a este texto que mais uma vez foi escrito através da minha incredulidade perante a situação apresentada.

sábado, 16 de abril de 2011

Possuir outro humano?


Olho-me de cima abaixo e vejo-me cravado de marcas, marcas essas que publicito sem o querer e que pago até para o fazer.
Mas a questão não é esta, é sim a origem destes objectos, sejam vestimentas, alimentos, electrónicos e por aí adiante. É de conhecimento popular que a maioria de tais bens provêem de indústrias estrangeiras, e infelizmente, é também de conhecimento geral que a indústria destes países é alimentada pela escravidão ou quase isso.
Então pergunto-me: -Quantos humanos terão entrado em contacto com o que eu uso, toco, ingiro, cansados de 18 horas de trabalho, ansiosos por se estenderem num canto frio e dormirem um pouco ou desejosos de receber uma parca maquia que lhes permita colocar comida na sua boca?
Crianças quem em vez de brincar livres ficam fechadas numa sala bafienta com dezenas de outras pessoas em constante esforço, perdendo desta forma tudo o que faz delas crianças, adultos que tal é o desgaste em mais anda pensam senão realizar mecanicamente a sua tarefa esperando que as horas passem.
Vidas perdidas, almas marcadas, tudo para que alguns indivíduos possam enriquecer e distinguir-se dos demais.
Mas este é o lado mais positivo da escravidão, temos de nos forçar a ver as pessoas que são tratadas abaixo da condição de animais, pessoas, humanos que são comprados por sessenta euros toda uma vida, toda uma alma, com sonhos, vontades e sentimentos vendida como se não passasse de um simples produto comercial.
Dizem que evoluímos constantemente mas não vejo evolução, aquando todos os homens têm o conhecimento de que usufruem de bens trabalhados por escravos, uma violação atroz e directa aos direitos fundamentais do homem, e nada fazem, alimentando constantemente este grande submundo que de
sub já pouco tem.
Poucos casos concretos são denunciados e a justiça de forma ineficaz actua contra quem age de forma desumana e obviamente ilegal.
Então só posso concluir algo: enquanto cada um de nós fechar os olhos a tal tirania esta continuará e crescerá até que um dia nos afecte e ficaremos ultrajados sem perceber que carregamos parte da culpa connosco.
Agora perguntam-me como podem mudar algo que não está directamente ligado às nossas acções, e digo que todos podemos fazer algo basta ver além do que nos é comum, sairmos das nossas zonas de conforto e procurarmos mudar o mundo antes que este nos mude a nós.
Por fim e com um certo pesar termino tendo no pensamento todas as almas que lá fora sofrem apenas para sustentar os pilares da riqueza.

quinta-feira, 31 de março de 2011

Corda bamba


Religião.
Não falo dela para julgar mas sim para tentar perceber a sua utilidade nos dias modernos. Durante séculos o homem, tacanho nos seus conhecimentos, usou o sobrenatural para explicar o que não entendia, e desta forma nasceu, a meu ver, a religião.
Sim, penso que nasceu do medo, medo que os primeiros homens tinham daquilo que não podiam ver, ouvir ou tocar pois simplesmente só se manifestava no seu quotidiano e sempre de forma negativa como se os quisesse castigar por algum mal que eles sabiam não ter cometido.
Ou seja a base das religiões não é nada mais que medo?
Sim...e não.
Explicar-me-ei já de seguida, o homem não sabendo explicar o porquê de por exemplo chover, trovoar ou até de adoecer teve de encontrar uma solução para preencher a limitação dos seus conhecimentos, e então nasceu não a religião mas o sobrenatural que mais tarde levaria a esta. Este medo rocambolesco levou a que o ser humano se vergasse perante o que julgava ser verdade e pusesse nisto todos os seus valores, futuro e decisões, não querendo errar perante a sua divindade de forma a não sofrer nas mãos desta
Na generalidade todos somos educados de forma a amar um deus e seguir as regras deste, com o passar dos anos começamos a questionar-nos e a pôr de parte esses ensinamentos e mais tarde voltamos a eles ou a outros pois o homem necessita de uma divindade, uma última esperança, e um último culpado, logo sinto-me em condições para dizer que o ateísmo é falso uma vez que nos momentos mais negros da vida do homem este indubitavelmente recorrerá a uma qualquer divindade, principalmente aquela a que foi educado a venerar pois é algo que se enraízou na sua alma e nunca foi de todo expurgada.
Tendo agora as bases podemos partir para o cerne da questão: a religião, algo nascido do medo, da ignorância, que tantos problemas morais nos impõem todos os dias, que está banhada com o sangue de crentes fervorosos e que ainda se enraíza no nosso ser será boa?
Sim, é, sem ela o homem andaria perdido, a esperança morreria aquando as suas capacidades se esgotassem, a moralidade perder-se-ia pois já não haveria nada para alcançar após a vida e por fim tudo seria demasiado real e concreto levando, desta forma, à morte da sua criatividade e até, talvez, da sua imaginação.

quarta-feira, 23 de março de 2011

Paus e pedras




Sabemos, desde sempre, que o homem é violento por natureza, está em nós, da mesma forma que está em todos os seres.
Notemos que não existe só a velha violência física, a psicológica também é importante e muitas vezes piores que a física pois tal como térmitas atarefadas carcomem a alma e deixam-nos cair no abismo do desespero.

Agora pensemos: vemos casos de violência contra desconhecidos, vemos violência contra familiares, vemos violência contra criaturas de todo tipo. Entre elas há alguma ligação? Sim, o homem, em todos estes casos o homem está pelo meio.
Maridos espancam esposas, pais agridem filhos, desconhecidos ofendem desconhecidos, insultos ameaças e cinismo são cada vez mais frequentes.
Tudo isto para quê? Para onde caminhamos nós? Num mundo repleto de mal, tentações e desastres o homem encontra até perigo no seu seio!
Tudo isto devido à raiva, ao ódio e por vezes à dor. Não pretendo encontrar a explicação para tal irracionalidade, por várias vezes tentei e fraquejei.
Então digo apenas que o homem devia agir conforme gostaria que os outros agissem pois dessa forma cresceríamos e talvez assim fossemos a raça superior que tanto julgamos ser.
Por fim digo apenas isto: é duro lutar contra o que nos é mais natural e se encontra mais entranhado em nós, mas nada é impossível logo basta tentar e talvez aí crianças não escondam nódoas negras, cônjuges não se rebaixem nem adolescentes se suicidem por julgarem viver num mundo que apenas lhes quer mal.



Nota: Para quem notar a falta de uso do acordo ortográfico peço desculpa mas não uso nem usarei pois nao me irei vergar a algo que considero insultuoso. Obrigado.

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Natureza interior

Egoísmo
Desde muito cedo vemos as crianças a serem egoístas, virá tal mal da alma humana ou será despoletado pela sociedade?

É,ou parece, uma pergunta complicada, pois dizer que nasce com o homem é diminuir este ser, e admitir que é a sociedade que o incute é criticar esta máquina volúvel e complicada com que cada um de nós tenta todos os dias lidar e sobreviver a ela.
Mas usando a lógica fria percebemos que este vil sentimento nasce connosco mas é pelas mãos sociedade que ele vem à tona, uso como exemplo uma criança a brincar sozinha, com os seus brinquedos, não é egoísta uma vez que não tem o outro como conviva, mas aquando a presença deste a criança em questão refugia-se no egoísmo tornando-se possesiva.
Então concluímos que o homem inserido na sociedade foca-se só no seu bem-estar.
Mas será bem assim?

Temos tantos homens altruístas ao longo da história!
Usemos Schindler como exemplo, o salvador de tantos judeus, considerado homem justo, que renegou à sua pátria, e tudo o que ela defendia, de forma a salvar vidas, que poucos consideravam dignas.
Tê-lo-ia apenas movido o medo de ter, um dia, remorsos, culpa? A culpa é, talvez, a pior dor que pode habitar no coração de um homem, ela corrói tudo o que de bom há nele até ela restar e arrastar assim mais uma alma consigo.

Mas terá sido o medo de tal coisa lhe acontecer que fez este ostentoso homem optar pelo caminho mais difícil ,e que provavelmente o levaria à morte, que fez com que ele se redimisse de todos os seus erros?
Acredito que não, dentro de cada nós, mesmo que seja muito no nosso fundo, existe o altruísmo, o ajudar para ter como recompensa (que esperamos de forma inconsciente) a simples felicidade dos outros, o bem-estar que nos faz sorrir também pois vemos assim mais uma das grandes, embora escondidas, belas partes da vida,
Percebo então que o amor, a consciência, e a humanidade nos levam a agir de forma nem sempre visível, mas que acaba por ter efeitos positivos e premeditados naqueles que nos rodeiam, pois ver alguém feliz certamente nos fará feliz, considere-se essa pessoa boa ou má, pois o amor pelo outro existe, e consegue ser, por vezes, superior ao amor que nutrimos pelo eu.
Por fim como prova viva dos quão humanos e puros podemos ser deixo este vídeo:
http://www.youtube.com/watch?v=elaXeN15isM