Olho-me de cima abaixo e vejo-me cravado de marcas, marcas essas que publicito sem o querer e que pago até para o fazer.
Mas a questão não é esta, é sim a origem destes objectos, sejam vestimentas, alimentos, electrónicos e por aí adiante. É de conhecimento popular que a maioria de tais bens provêem de indústrias estrangeiras, e infelizmente, é também de conhecimento geral que a indústria destes países é alimentada pela escravidão ou quase isso.
Então pergunto-me: -Quantos humanos terão entrado em contacto com o que eu uso, toco, ingiro, cansados de 18 horas de trabalho, ansiosos por se estenderem num canto frio e dormirem um pouco ou desejosos de receber uma parca maquia que lhes permita colocar comida na sua boca?
Crianças quem em vez de brincar livres ficam fechadas numa sala bafienta com dezenas de outras pessoas em constante esforço, perdendo desta forma tudo o que faz delas crianças, adultos que tal é o desgaste em mais anda pensam senão realizar mecanicamente a sua tarefa esperando que as horas passem.
Vidas perdidas, almas marcadas, tudo para que alguns indivíduos possam enriquecer e distinguir-se dos demais.
Mas este é o lado mais positivo da escravidão, temos de nos forçar a ver as pessoas que são tratadas abaixo da condição de animais, pessoas, humanos que são comprados por sessenta euros toda uma vida, toda uma alma, com sonhos, vontades e sentimentos vendida como se não passasse de um simples produto comercial.
Dizem que evoluímos constantemente mas não vejo evolução, aquando todos os homens têm o conhecimento de que usufruem de bens trabalhados por escravos, uma violação atroz e directa aos direitos fundamentais do homem, e nada fazem, alimentando constantemente este grande submundo que de sub já pouco tem.
Poucos casos concretos são denunciados e a justiça de forma ineficaz actua contra quem age de forma desumana e obviamente ilegal.
Então só posso concluir algo: enquanto cada um de nós fechar os olhos a tal tirania esta continuará e crescerá até que um dia nos afecte e ficaremos ultrajados sem perceber que carregamos parte da culpa connosco.
Agora perguntam-me como podem mudar algo que não está directamente ligado às nossas acções, e digo que todos podemos fazer algo basta ver além do que nos é comum, sairmos das nossas zonas de conforto e procurarmos mudar o mundo antes que este nos mude a nós.
Por fim e com um certo pesar termino tendo no pensamento todas as almas que lá fora sofrem apenas para sustentar os pilares da riqueza.
sábado, 16 de abril de 2011
Possuir outro humano?
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