segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Natureza interior

Egoísmo
Desde muito cedo vemos as crianças a serem egoístas, virá tal mal da alma humana ou será despoletado pela sociedade?

É,ou parece, uma pergunta complicada, pois dizer que nasce com o homem é diminuir este ser, e admitir que é a sociedade que o incute é criticar esta máquina volúvel e complicada com que cada um de nós tenta todos os dias lidar e sobreviver a ela.
Mas usando a lógica fria percebemos que este vil sentimento nasce connosco mas é pelas mãos sociedade que ele vem à tona, uso como exemplo uma criança a brincar sozinha, com os seus brinquedos, não é egoísta uma vez que não tem o outro como conviva, mas aquando a presença deste a criança em questão refugia-se no egoísmo tornando-se possesiva.
Então concluímos que o homem inserido na sociedade foca-se só no seu bem-estar.
Mas será bem assim?

Temos tantos homens altruístas ao longo da história!
Usemos Schindler como exemplo, o salvador de tantos judeus, considerado homem justo, que renegou à sua pátria, e tudo o que ela defendia, de forma a salvar vidas, que poucos consideravam dignas.
Tê-lo-ia apenas movido o medo de ter, um dia, remorsos, culpa? A culpa é, talvez, a pior dor que pode habitar no coração de um homem, ela corrói tudo o que de bom há nele até ela restar e arrastar assim mais uma alma consigo.

Mas terá sido o medo de tal coisa lhe acontecer que fez este ostentoso homem optar pelo caminho mais difícil ,e que provavelmente o levaria à morte, que fez com que ele se redimisse de todos os seus erros?
Acredito que não, dentro de cada nós, mesmo que seja muito no nosso fundo, existe o altruísmo, o ajudar para ter como recompensa (que esperamos de forma inconsciente) a simples felicidade dos outros, o bem-estar que nos faz sorrir também pois vemos assim mais uma das grandes, embora escondidas, belas partes da vida,
Percebo então que o amor, a consciência, e a humanidade nos levam a agir de forma nem sempre visível, mas que acaba por ter efeitos positivos e premeditados naqueles que nos rodeiam, pois ver alguém feliz certamente nos fará feliz, considere-se essa pessoa boa ou má, pois o amor pelo outro existe, e consegue ser, por vezes, superior ao amor que nutrimos pelo eu.
Por fim como prova viva dos quão humanos e puros podemos ser deixo este vídeo:
http://www.youtube.com/watch?v=elaXeN15isM

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Progresso ou decadência?

Ser humano...animal racional, separados dos outros animais devido à sua capacidade, por vezes surpreendente, de viver além dos instintos.
Partindo deste ideal deveríamos ser mais que capazes de sermos seres justos, amáveis e sábios, uma grande espécie destinada, não a conquistar o mundo mas a cuidar dele, a aprofundar conhecimentos, sentimentos e emoções, viver vidas justas e plenas.
No entanto histórias chegam aos nossos ouvidos do quão corrompido está o conceito de ser humano, nem a nós mesmo nos respeitamos. Crianças a trabalhar horas a fio sem direito a educação nem conforto, muito menos amor, carinho e orientação Recursos naturais a serem sugados a um ritmo devastador e sem controlo. O respeito pelo direito à vida esvaindo-se levando consigo o respeito pelo próximo.
E agora pergunto-me porquê?
Terá de ser assim? Perdeu o homem tudo aquilo que o definia como bom?
Não tenho a resposta, mas tenho esperança.
Em nós há o bem, basta dar-lhe forças e cada um de nós poderá mudar o mundo molda-lo segundo a capacidade do homem e atingir grandes conquistas, estas conquistas são as que menos imaginamos, não poder, não dinheiro, não modernidade mas sim amor, respeito e acima de tudo o titulo de seres racionais.
 

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Hipermercado?

Devido a experiências próprias, e também ao Dia Internacional Da Tolerância, comemorado dia dezaseis deste mês, o presente post será sobre "rótulos".
Não aqueles que tudo o que compramos traz, mas sim os rótulos que tanto insistimos em colocar às pessoas ao nosso redor.
Preto, gordo, fumador, gótico, bêbedo, drogado, homossexual...blá,blá,blá, em cada olhar focamos alguém e rotulamos essa pessoa, negativa ou positivamente.

Ignoramos os sentimentos, os valores próprios, as qualidades e muitas vezes os defeitos das pessoas, baseamos tudo no aspecto exterior e nunca no que realmente importa...
Fará parte da nossa natureza? Seremos todos assim?
Talvez você desse lado diga: "-Sim faz e sim somos.", felizmente tenho de discordar, a meu ver, e usando de exemplo aqueles que de bom grado entregam a sua vida a causas humanitárias, o homem é um ser feito de hábitos.e caiu, com muita pena daqueles que se dão conta de tal facto, em rotina pois hoje em dia rotulamos tudo e todos.
O belo e o feio faz parte de nós, dependendo dos nossos valores dizemos o que,a nosso ver, é ou não belo, mas rotular cada ser humano à nossa volta não é algo imutável, a sociedade é que fez desse acto uma coisa simples, automática e rotineira.
Poucos de nós resistem à tentação de rotular o indivíduo x ou y, mas tudo pode mudar, hoje em dia nada é perene, salvo o que é comum a todos os homens independentemente de qualquer factor , podemos mudar, tornarmo-nos, nas palavras da venerável Florbela Espanca, mais altos e melhores.
O coração humano não conhece limites, para quê nos apegarmos às injustiças da sociedade? Julgar um livro pela capa? Rodearmo-nos apenas com aqueles cuja aparência nos agrada, ignorando totalmente o peso dos seus defeitos?
Cada um é como é, as aparências iludem e cabe a cada um de nós ver além delas, penetrar no véu em que a alma, a consciência, o coração humano se esconde e ver, verdadeiramente, quem aquela pessoa é.

Todos os dias, dias atrás de dia, antes de pôr um rótulo a alguém pense duas vezes, talvez dessa forma descubra que a luz da humanidade está ofuscada apenas com a poeira de mentes incapazes de ver além do que é comum para elas e que acabam impondo o seu ideal, a sua ideia da utópica "perfeição" ao resto de nós.


quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Orgulho e preconceito

Hoje apetece-me falar do orgulho, desta vez prometo ser breve.
No meu ultimo post falei do voluntariado, prestar ajuda a quem precisa, mas será que todos pretendem ser ajudados?
Dou comigo num mundo repleto de pessoas que pretendem atingir objetivos, mas será que todos conseguem?
Obviamente que não, a ambição leva até à perda de tudo.
E muitos transformam-se nas pessoas que precisam de ajuda, mas nem todas querem ser ajudadas, talvez, penso eu, pois querem recuperar o que tinham antes sem perderem a dignidade.
Dignidade, que bela e tão soante palavra, como desde pequeno ouvi a minha avó dizer: "Um homem pode perder tudo mas tendo a dignidade, oh meu neto, dessa forma pode ser a pessoa mais pobre no mundo e caminhar de queixo erguido", vejo hoje que ela estava certa.
O orgulho, não desmedido, faz de nós pessoas mais fortes, decididas, e sem dúvida lutadoras.
Quando desmedido deixa as pessoas rodeadas de...nada, apenas vazio, tal como qualquer coisa o orgulho tem medida certa.
O preconceito de ser ajudado deve ser deixado para trás, mas o orgulho de agirmos a solo far-vos-á mais felizes e independentes.

Preconceito, outra bela palavra, com um significado que tem de ser erradicado da alma do homem pois leva apenas a cometer erros crassos e pouco dignos.
Temos de acreditar em nós respeitar o nosso trabalho e quem nós somos.
Respeitar os nossos superiores mas não segui-los cegamente.
Ter orgulho é ter vontade própria então estimem quem são, o que gostam, e quem amam e dessa forma estarão a dar mais um passo no tortuoso caminho que é uma vida chamada boa.

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Algemas da alma


À uns dias, num daqueles tempos em que nada temos para nos ocupar e as horas se arrastam vagarosamente, pus-me a pensar no quão bom seria poder ajudar os outros.
Como curioso humano que sou, logo comecei a reunir informação de como poderia fazer a diferença na comunidade. Estupefacto fiquei ao ver as regras que me impunham, coisas como: "Terá de ser maior de idade" ou "Tirará um curso de três meses", pedindo também.passo a citar, "Um horário extremamente fléxivel
Foi para mim um choque deparar-me com tantas barreiras, impossíveis de ultrapassar tendo em conta o tempo que disponho.
Querendo apenas dar largas à boa vontade, para quê ter de oficialmente ser um adulto?Perguntei-me um tanto exasperado com tal situação.
A bondade existe em nós não na nossa idade, e sem duvida que tendo contacto com pessoas em situações de vida diversas levaria formação de melhores pessoas, mais conscientes e humanitárias
Não descarto obviamente a necessidade de instrução, apenas a rigidez da mesma, além do mais, chocou-me ver o que exigiam de quem queria apenas ajudar, deu a sensação de que os horizontes do voluntariado estão fechados para meia dúzia de pessoas com disponibilidade para cumprir todos os termos impostos.
Tendo horários fixos e pouco tempo livre dou comigo com apenas o ocioso fim-de-semana por preencher, mas obviamente esse espaço de tempo não preenche as exigências das instituições portuguesas, que sem duvida terão, digo,até excesso de pessoal profissional e cursado, fazendo, por exemplo, que num hospital todo e qualquer doente tenha a seu lado pontualmente alguém, a tentar espantar a tristeza que fortemente se  puderá ter fixado à pessoa, e não apenas, alguém que cuide da sua saúde física ignorando,excepto em certos casos,os sentimentos que corroem as pessoas tão ou até mais eficientemente que qualquer doença física.

Dizem que o homem moderno só olha para si e para aqueles que ama, mas a verdade é que as portas para um comunidade aberta estão fechadas devido a todo este conjunto de regras exigidas tanto neste assunto quanto em qualquer outro.
Então com pesar, descubro que para ajudar os outros teremos, para isso, não ter uma vida própria, o que nos dias que atravessamos tão pesarosamente é dificílimo.
A sociedade prende os nossos movimentos levando-nos a cair na rotina,sentar-nos no sofá e suspirar, pois amanha tudo se voltará a repetir, sem escapes, sem libertações, e desta forma todos nós sem darmos conta perdemos os nossos sonhos mais inocentes e puros, que se nos escapam pelos dedos como água.
Eu não perdi este meu sonho, mas terei de o adiar, limitando assim as minhas acçoes "humanitárias", a reter a porta do elevador aquando a chegada de um vizinho.

Você já ajudou alguém hoje?


sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Mulher ou animal?

Mulher ou animal?
Hoje ao passar os olhos pela página principal do diário "Correio da manhã" deparo-me com a insólita noticia da morte de um bebé de três meses.
Noticia que seria ignorada caso não fosse o motivo da morte. Pensava já ter visto de tudo, mas algo assim é no mínimo inumano, na súper potência que é a América, uma jovem mulher entretida a jogar "Farmville" (jogo popular entre os "facebookers" que envolve gerir uma quinta) é despertada do seu torpor pelo seu filho com três meses de idade.
Uma jovem mãe teria tentado perceber o que estava a incomodar o fruto do seu ventre mas devido ao facto de um jogo on-line não poder ser abandonado ela pegou no bebé e deu-lhe um abanão, para se acalmar sacou de seu cigarro e tirou proveito da calmaria provocada pela nicotina (o pobre bebe já fumava passivamente) não satisfeita com o desfecho deste episódio ela volta a abanar o inconsolável bebe partindo-lhe assim o pescoço.
Explicada agora esta situação pergunto-me a vós: Que sociedade é esta? Para onde foram os valores sagrados que fazem do Homem um ser superior aos animais?
Enquanto esta mãe matou o seu filho, devido a ele não lhe permitir aproveitar a ociosidade de um jogo, há casos reais de animais que salvam crianças humanas por puro instinto.
Então chego à pergunta fulcral: Quem são aqui os animais?
Chegamos ao ponto de apagar a chama da vida de um inocente, desprotegido e puro bebé, porque uma quinta virtual necessitava de ser cuidada.
Não vou estar com meias medidas realmente isto entristece-me a alma e perco a fé na bondade do homem, como diz o provérbio popular "quem não os quer não os faz".
Era uma vida, ainda não corrompida pela sociedade, que perdemos às mãos de uma mãe incompetente que a meu ver merecia ser castigada mas que o seu castigo por quebrar um dos mais sagrados códigos do homem- o respeito pelos indefesos -será de vinte e cinco anos numa prisão.
Despeço-me assim com uma nota de tristeza no coração pedindo a cada um de vós que não se percam nas emaranhadas teias que fazem do homem algo, uma coisa, abaixo de qualquer animal, pois até eles têm instintos de protecção por aqueles que por si só não se podem defender.